terça-feira, 12 de abril de 2011

O novo comandante da Swuingueira de Noel

Por Artur Bernardes

Se você chegar em uma quadra de escola de samba e perguntar por Paulo Botelho , com certeza poucas pessoas vão saber responder, mas se você perguntar pelo "mestre Paulinho" não tem como dizer que não conhece, esse carioca nascido nas laranjeiras, mas criado na Tijuca, casado, vascaíno, músico de mão cheia, tendo tocado com inúmeros artistas nacionais, como o Rei Roberto Carlos , a cantora Simone, Zeca pagodinho  entre outros e artistas internacionais com o maestro Isac Karabtsnewsk e Rick Martin e que tem na Sapucaí o seu point preferido ,  de volta ao carnaval, no comando da bateria da Unidos de Vila Isabel abriu as portas de sua casa e do seu coração para essa entrevista exclusiva.


1-  Paulinho como surgiu essa sua paixão pelo samba e pelo carnaval ?

  Paulinho - Aos 09 de idade eu fui a quadra do Salgueiro e comecei a freqüentar os ensaios, meu pais se separaram e eu fui morar em Pilares onde passei a freqüentar a quadra da  Caprichosos de Pilares.


2- Qual foi a primeira escola que você desfilou como ritmista ?

    P- Caprichosos de Pilares


3-Conta um pouco da sua trajetória dentro do carnaval como mestre de bateria.?
 
    P- Antes de responder, gostaria de destacar que antes de assumir a bateria de uma escola de samba eu trabalhei com a Simone minha grande amiga  , durante algum tempo, isso começou  em uma gravação do fantástico em um quadro onde teria a participação de ritmistas, por idéia minha ela tocou alguns instrumentos dentro da nossa bateria e foi um sucesso.

Apartir dai ela levou isso p/ show dela e me convidou para tocar na banda dela.

A minha primeira escola de Samba como ritmista foi a Caprichosos de Pilares de (86 à 90 ),  Viradouro (91 à 96), um detalhe a ser destacado é que em 1995 eu recebi uma proposta da Beija Flor  , mas já tinha acertado com a Portela.

Na escola permaneci de 96 `a 97, já à frente da bateria da Portela eu obtive nota máxima no primeiro ano , porém no  segundo ano dentro da escola , por má conduta da diretoria da escola , alguns ritmistas incorfomados com algumas coisas, no dia do desfile boicotaram a bateria.

 Em 1997 fui convidado pelo atual diretor de carnaval da Beija Flor, para que o ajudasse a montar uma bateria, com a cara da escola , uma vez que a bateria da Beija Flor  tinha perdido a identidade.

Em Nilópolis fiquei de 1997 à 2009,onde me identifiquei muito, com a comunidade que sempre me respeitou e me acolheu de braços abertos , conquistei 6 títulos e 5 vice campeonatos .
Em 12 anos no comando da bateria da escola só perdi 0,3 décimos , com 8 (oito) anos seguidos tirando nota 10.

4- Contra fatos não existem argumentos então podemos dizer que a Beija Flor foi a escola no qual você
mais se identificou ?

 P- Com certeza, eu tenho um carinho enorme, um amor muito grande pela escola  e pela comunidade.


5- Qual foi o real motivo da sua saída da escola ?

P-  A minha saída se deve exclusivamente  as atitudes tomadas pelo Laíla, em primeiro lugar não concordava com a maneira como ele definia o critério de escolha do samba enredo da escola , mas até ai tudo bem, não estava interferindo dentro do meu departamento.



Mas infelizmente ele começou a se intrometer no meu trabalho, fato inadmissível, eu tinha total liberdade do Sr Anísio para trabalhar e fazer o meu trabalho que, diga-se de passagem era bem feito, se fossemos considerar a Beija Flor uma empresa, eu era um funcionário que produzia e dava retorno a escola , o meu departamento em 12 anos perdeu somente 0,3 décimos como ele ia se meter, não tendo nada  de errado.

Chegou ao ponto de em um ensaio na Sapucaí, ele querer colocar o dedo no meu rosto , isso eu não admito. Eu mereço respeito, como um funcionário que dava retorno a escola e como homem, nunca faltei com o respeito à ele e nem me metia no trabalho dele.

E com certeza o terceiro motivo foi o lado pessoal, ele ficou incomodado com o meu sucesso pessoal alcançado dentro da escola ,com o meu trabalho , meu carisma e a minha liderança natural.

6- Pelo seu trabalho à frente da escola muito se especulava que você era o funcionário melhor remunerado dentro , isso condiz com a realidade ??

P- Olha eu só tenho a agradecer a Beija Flor pela oportunidade de desenvolver o meu trabalho com total estrutura , mas em relação a remuneração eu recebia da escola o valor de R$ 1.000,00 eu completava o meu salário com eventos, shows , palestras e com patrocínios.
Falando em patrocínio eu levei a rede de supermercados Guanabara para ser patrocinador da escola.

7- Ficou alguma mágoa pela maneira como foi conduzida  a sua saída da escola ??

 P- Mágoa não ,mas logo quando sai da escola cheguei a ficar em depressão , tentando encontrar o real motivo para esse problema que estava acontecendo.

Foi um período muito ruim na minha vida.

8- Como é seu relacionamento  digamos assim profissional com seus 2 ( dois ) filhos ( "vitinho" e Douglas) que foram seus diretores de bateria ?? por serem seus filhos a cobrança era maior ?

 P- É o que seu sempre falava com eles , em casa é uma coisa, no trabalho era outra.

Não tinham privilégios nenhum por serem meus filhos , a cobrança realmente era muito forte.

Independente de serem meus filhos eu sempre exigi , não só deles mas de todos os outros diretores muito profissionalismo, dedicação e respeito com a escola.

Teve um fato até inusitado, no enredo que Beija Flor falava sobre a África, por divergências  eu cortei meu filho  Vitor do desfile.

9-  Falando no quesito bateria , como vc analisa atualmente o nível das baterias que passam atualmente na Avenida  ?


P- Hoje em dia, digamos assim até por  " imposição" dos jurados a bateria passa com pouco ritmo e  com muitas paradinhas.

Mesmo tendo a certeza que a grande maioria dos mestres de atualmente tem totais condições fazer, isso está prejudicando o andamento do desfile , uma vez que a sustentação do samba em si fica fraca.

Gostaria até de fazer até um apelo a Liesa, a Riotur que não deixem a parte mais gostosa e emocionante do samba acabar.

Essa história que inventaram de medir bateria de escola de samba com metrômetro é uma burrice, uma ignorância, o ritmista toca com amor, coração isso nasce com a pessoa.

10- Alguma bateria ou mestre que vem passando na Avenida merece um destaque da sua parte ??

  P - Eu cito o mestre Thiago Diogo ( Porto Da Pedra), Marcorne ( Imperatriz) e o mestre de bateria da União de Jacarepaguá, que agora não me recordo o nome.

11- Como surgiu o convite e como foi a sensação de voltar a avenida esse ano pelo Salgueiro  ?
   
    P- Em primeiro lugar gostaria de deixar bem claro aos outros mestres de batéria que quando vou à alguma quadra , visitar, "curtir" um ensaio , não vou com o intuito de cavar ou tirar o lugar de ninguem, quem me conhece sabe que tenho ética e respeito pelos meus colegas.

 Em Dezembro de 2010 o "destemido" Marcão essa figura humana maravilhosa, na qual eu tenho um total respeito , carinho e sou muito agradecido  me convidou , mas não só eu mas  alguns mestres  que estão fora do carnaval pra vir a frente da bateria do Salgueiro com ele.

12- Existiam Rumores que se a Presidenta do Salgueiro, Regina Duran sendo reeleita , o mestre Marcão assume a vice presidência da escola e você assume a bateria do Salgueiro isso é verdade ??

 P_  Que eu saiba não, isso nunca chegou ao meu conhecimento, até porque como te falei não tenho a intenção de tomar o lugar de nenhum colega, ainda mais o Marcão.

14- Paulinho como é voltar ao carnaval depois de (02 ) dois anos fora, à frente de uma escola tão tradicional como a Unidos de Vila Isabel ?

P-É uma satisfação muito grande ,  estou voltando ao carnaval, com muita garra e vontade de fazer o melhor pela escola, ali no meu segmento que é a  bateria. A escola atende a tudo que é necessário para fazer um bom trabalho, tem uma excelente estrutura e dá totais condições de trabalho.

14-  Como surgiu o convite ??

P- Bom, antes de responder essa pergunta quero que  fique bem claro que eu só aceitei a conversar com o presidente , após o desligamento oficial do Átila. O convite surgiu  do  próprio presidente que junto com o Bocão queriam dar um outro rumo ao segmento de bateria , então optaram pela minha experiência, conhecimento no assunto , junto com a juventude e tbm conhecimento do Wallan. Foi tudo bem rápido na quinta o presidente fez o convite, na sexta estava em Brasilia e conversamos pelo telefone e no sabado fui apresentado.

15- Espera encontrar algum tipo de resistência dentro da bateria ou da escola?/

P- Posso te adiantar que nunca fui tão bem recebido por nenhuma escoal como fui na Vila Isabel, o mestre Mug, o próprio Wallan e todos os segmentos da escola me trataram com muito carinho e respeito.
Que fique bem claro que estou chegando na vila para agregar e somar junto com o Wallan, resgatando a tradição do ritmo da bateria da Vila Isabel


15- Como é  a sua amizade com o Rei Roberto Carlos ?

P- Uma amizade sincera e  verdadeira que foi pautada na sinceridade, o Roberto é um cara super simples e uma figura humana imensurável.

Eu posso afirmar que eu levei Rei para o convivo da escola

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