Por Artur Bernardes
Apontado pela crítica especializada como um dos talentos da nova geração do samba, nosso entrevistado , até atingir esse patamar, teve que vencer muitas desconfianças e barreiras, a começar pela pouca idade. Aos 26 anos, assumiu a premiada bateria da Imperatriz Leopoldinense, com o propósito de resgatar as notas dez e a tradição de bons desfiles realizados pela escola de Ramos. Hoje, aos 31 anos de idade e com o objetivo alcançado, vai para o seu quinto ano no comando da bateria.
Carioca, eletricista de profissão, morador e admirador do Bairro de Ramos, ele vem nos contar uma pouco de sua vida e experiências no comando da bateria swing da Leopoldina em uma entrevista exclusiva para o site OAbrealas.
1) Quando começou a sua paixão pelo samba? Você foi influenciado por alguém?
MARCONE- Começou em 1986, quando desfilei pela primeira vez na ala das crianças da Imperatriz Leopoldinense. Minha mãe foi a responsável por me levar ao samba, ela já era componente da escola.
2) Conte-nos quando começou a ter contato com a bateria.
MARCONE- Esse contato começou em 1992, quando o mestre de bateria conhecido por Bira, que era da União da Ilha, veio ajudar no trabalho da bateria da Imperatriz. Ao chegar, ele montou uma bateria mirim, que abria os ensaios até chegar a hora da apresentação da bateria adulta. Diante disso, mestre Bira notou que eu tive uma boa evolução com o repique e, assim, fui sendo chamado para tocar com os adultos. Passado um tempo que ele fez a mim e mais três jovens, o Mestre da bateria adulta não mostrou-se favorável ao ingresso de crianças no segmento. Em 1993, após muitos apelos, desfilei pela bateria adulta da Imperatriz. No ano de 2005, o diretor de carnaval Wagner Araújo pediu ao mestre de bateria que me colocasse como diretor auxiliar.No ano seguinte, tive a oportunidade de conhecer o mestre Jorjão, que foi convidado para integrar a equipe de diretores auxiliares da bateria e, posteriormente virou o mestre de bateria da Imperatriz, e continuei ajudando e aprendendo com ele. Após dois anos, eu recebi um convite do próprio Wagner Araújo para ser responsável pela bateria e já de "cara" tiramos quatro notas dez, ganhamos o Estandarte de Ouro como Revelação e o prêmio Estrela do Carnaval como melhor bateria, e aqui estou até hoje, à frente dos "trabalhos".
3) Por você ser um mestre de bateria tão jovem, encontrou alguma resistência no começo do seu trabalho?
3) Por você ser um mestre de bateria tão jovem, encontrou alguma resistência no começo do seu trabalho?
MARCONE- A única resistência que eu encontrei foi por parte de algumas pessoas que achavam que eu não seria capaz de mudar a bateria, por ser novo e não ser conhecido no carnaval, porém não dei importância e demostrei o meu trabalho.
4) Ter sido apontado pela crítica de carnaval, como uma grande revelação, no seu entendimento, funciona como motivação ou um“peso” de não cometer erros?
MARCONE -Claro que ter o reconhecimento da crítica carnavalesca é uma grande motivação para trabalhar, porém a responsabilidade de fazer sempre o melhor para agradar aos jurados e a plateia aumenta, mas não vejo como peso. Esse ano fiquei muito feliz ao ver que, pelo júri popular da emissora que cobre o desfile, a bateria da Imperatriz ganhou a maior nota. Isso nunca tinha acontecido na história da escola.
| Mestre Marcone e Mestre Odilon Foto: Arquivo Pessoal |
MARCONE- Sim , tem quatro mestres que um dia eu sonho em conquistar o respeito e a sabedoria que eles tem: Odilon Costa, Mestre Mug, da Vila Isabel, Mestre Paulinho Botelho e Mestre Marcão do Salgueiro.
6) Como foi a sensação de pisar na Sapucaí pela primeira vez como mestre de bateria? Passou pela sua cabeça que algo fosse dar errado?
MARCONE- Assim que eu pisei na Sapucaí, me emocionei muito no setor 1 ao ver a arquibancada lotada aplaudindo a apresentação da bateria. Mas logo voltei ao normal, uma vez que eu tinha que me concentrar para o desfile. Em relação ao receio de que alguma coisa desse errado, confesso que não tive esse sentimento, uma vez que o que é apresentado no desfile é ensaiado exaustivamente ao longo do ano na quadra.
7) Qual a importância do seus diretores dentro do seu trabalho?
MARCONE- Costumo dizer que eles são os meus olhos dentro do corpo geral da bateria em ensaios e desfiles. Sempre informo, nas reuniões que são feitas, que tudo será dividido, seja a alegria da nota dez ou a tristeza de não ter conquistado a pontuação máxima. Tenho uma grande direção de bateria, somos unidos e agradeço a todos por terem entendido a minha forma de trabalhar e me ajudado a mudar a "cara "da bateria da Imperatriz.
8) O que, na sua opinião, diferencia a bateria da Imperatriz das outras ?
MARCONE- Hoje em dia, todas as baterias evoluíram bastante e cada uma com um estilo diferente. Falando especificamente na Imperatriz, eu me preocupo muito com um bom andamento, onde podemos ouvir uma bateria com seus naipes padronizados, sem agredir outros naipes, ou seja, todos os instrumentos tocando a mesma batida , não podendo faltar o desenho nos surdos de terceira. De longe, quem escuta ja sabe, "lá vem o Swing da Leopoldina" (risos).
10) De onde e como surgiu essa denominação “swing da Leopoldina”?
10) De onde e como surgiu essa denominação “swing da Leopoldina”?
MARCONE - Esse nome foi dado pelo amigo Preto Jóia (intérprete) na época que assumi a bateria. Ele me disse assim: "Temos que dar um nome a essa bateria", surgindo essa denominação que hoje é a nossa marca.
11) Luiza Brunet é a rainha que toda bateria deveria ter?
MARCONE- Luiza, sem dúvida, é uma grande rainha, está sempre simpática e atendendo a todos que estão ao seu redor.
12) Como você encarou essas duas sensações distintas : ano passado como a única bateria a receber todas as notas dez e esse ano não conseguindo repetir o feito?
MARCONE- No ano passado, foi uma emoção muito grande, que sinto até hoje ao lembrar, afinal ganhar dez nos cinco módulos julgadores é uma prova de evolução que a bateria teve em quatro anos com o meu trabalho. O fato de no último carnaval não ter ganho cinco notas dez não me abalou, afinal, tenho certeza que a bateria fez uma grande apresentação e sempre busco a criatividade e a ousadia a cada ano. Isso nos faz ter a consciência tranquila, uma vez que nem Jesus Cristo agradou a todos.
13) Na sua opinião, os atuais sambas de enredo vem ajudando o trabalho dos mestres de bateria?
MARCONE- Com certeza, para mim, o samba tem 50% de participação em um grande trabalho de uma bateria. A ala de compositores da Imperatriz está de parabéns.
14) Diante da maneira que está sendo conduzido o julgamento do carnaval, falando especificamente no quesito bateria, você tem total liberdade para realizar inovações ou você fica “amarrado” a algum critério, temendo não alcançar a pontuação máxima?
MARCONE - Sempre procuro ter uma bateria criativa e ousada, não ficamos "amarrados" a nada!
| Mestre Marcone Foto: Arquivo Pessoal |
MARCONE- Não uso, prefiro confiar nos meus ouvidos para poder avaliar se a bateria está cadenciada ou acelerada.
16) Gostou da escolha do enredo que a Imperatriz irá levar para a Sapucaí em 2012?
MARCONE- Gostei muito, Jorge Amado foi um grande homem da literatura brasileira. Podem esperar que a Imperatriz vai fazer um grande carnaval. Salve a Bahia, salve Jorge Amado.
17) Já começaram os ensaios? O que podemos esperar da bateria da Imperatriz para o carnaval do ano que vem?
MARCONE- Os ensaios começaram no último dia 6 de junho, com dois meses antes da temporada de disputa de sambas de enredo. Assim, podemos trabalhar com mais folga e fazer uma grande apresentação no desfile.






