quarta-feira, 22 de junho de 2011

O comandante do swing da Leopoldina

Por Artur Bernardes

Apontado pela crítica especializada como um dos talentos da nova geração do samba,  nosso entrevistado , até atingir esse patamar, teve que vencer muitas desconfianças e barreiras, a começar pela pouca idade. Aos 26 anos, assumiu a premiada bateria da Imperatriz Leopoldinense, com o propósito de resgatar as notas dez e a tradição de bons desfiles realizados pela escola de Ramos. Hoje, aos 31 anos de idade e com o objetivo alcançado, vai para o seu quinto ano no comando da bateria.

Carioca, eletricista de profissão, morador e admirador  do Bairro de Ramos, ele vem nos contar uma pouco de sua vida e experiências no comando da bateria swing da Leopoldina em uma entrevista exclusiva para o site OAbrealas.


1) Quando começou a sua paixão pelo samba? Você foi influenciado por alguém?

MARCONE-  Começou em 1986,  quando desfilei pela primeira vez na ala das crianças da Imperatriz Leopoldinense. Minha mãe foi a responsável por me levar ao samba, ela já era componente da escola.


Marcone no desfile oficial de 2011
Foto: Arquivo pessoal
2) Conte-nos quando começou a ter contato com a bateria.

MARCONE- Esse contato começou em  1992, quando o  mestre de bateria conhecido por  Bira, que era da União da Ilha, veio ajudar no trabalho da bateria da Imperatriz. Ao chegar, ele montou uma bateria mirim, que abria os ensaios até chegar a hora da apresentação da bateria  adulta.  Diante disso,  mestre Bira notou que eu tive uma boa evolução  com o repique e, assim, fui sendo chamado para tocar com os adultos. Passado um tempo que ele fez a mim e mais três jovens, o Mestre  da bateria adulta não mostrou-se favorável ao ingresso de crianças no segmento. Em  1993, após muitos apelos, desfilei pela bateria adulta da Imperatriz. No ano de 2005, o  diretor de carnaval Wagner Araújo pediu ao mestre de bateria que me colocasse como diretor auxiliar.No ano seguinte, tive a oportunidade de  conhecer o mestre Jorjão, que  foi convidado para integrar a equipe de diretores auxiliares da bateria e, posteriormente virou o mestre de bateria da Imperatriz, e continuei ajudando e aprendendo com ele. Após dois anos, eu recebi um convite do  próprio Wagner Araújo para ser responsável pela bateria e já de "cara" tiramos quatro notas dez, ganhamos o  Estandarte de Ouro como  Revelação e o  prêmio Estrela do Carnaval como melhor bateria, e aqui estou até hoje,  à frente dos "trabalhos".

3) Por você ser um mestre de bateria tão jovem, encontrou alguma resistência no começo do seu trabalho?

MARCONE- A  única resistência  que eu encontrei foi por parte de  algumas  pessoas que  achavam que eu não seria capaz de mudar a bateria, por ser novo e não ser conhecido no carnaval, porém não dei importância e demostrei o meu trabalho.

4) Ter sido  apontado pela crítica de carnaval, como uma grande revelação, no seu entendimento, funciona como motivação ou um“peso” de não cometer erros?

MARCONE -Claro que ter o  reconhecimento da crítica carnavalesca é  uma grande motivação para trabalhar, porém a responsabilidade de fazer sempre o melhor  para  agradar aos jurados e a plateia aumenta, mas  não vejo como peso. Esse ano  fiquei muito feliz ao  ver que, pelo júri  popular da emissora que cobre o desfile, a bateria da Imperatriz ganhou  a maior nota. Isso nunca tinha acontecido na história da escola.

Mestre Marcone  e Mestre Odilon
Foto: Arquivo Pessoal
5) Tem algum mestre de bateria que você acompanha e deseja ter o respeito e o reconhecimento que ele tem dentro do samba?


MARCONE- Sim , tem quatro mestres que um dia eu  sonho em conquistar o respeito e a sabedoria que eles tem: Odilon Costa, Mestre Mug, da Vila Isabel, Mestre Paulinho Botelho e Mestre Marcão do Salgueiro. 

6) Como foi a sensação de pisar  na Sapucaí pela primeira vez como mestre de bateria?  Passou pela sua cabeça que algo fosse dar errado?

MARCONE-  Assim que eu  pisei na Sapucaí, me emocionei muito no setor 1 ao  ver a arquibancada lotada aplaudindo a apresentação da bateria. Mas logo voltei ao normal, uma vez que eu tinha que me concentrar para o desfile. Em relação ao receio de que alguma coisa desse errado, confesso que não tive  esse sentimento, uma vez que o que é apresentado no desfile é ensaiado exaustivamente ao longo do ano na quadra.

7) Qual a importância do seus diretores dentro do seu trabalho?

MARCONE- Costumo dizer que  eles são os meus olhos dentro do corpo geral da bateria em ensaios e desfiles. Sempre informo, nas reuniões que são feitas, que tudo será dividido, seja a alegria da nota dez ou a tristeza de não ter conquistado a pontuação máxima. Tenho uma grande direção de bateria, somos unidos e  agradeço a todos por terem  entendido a minha forma de trabalhar e me ajudado a mudar a "cara "da bateria da Imperatriz.

8) O que, na sua opinião, diferencia a bateria da Imperatriz das outras ?

MARCONE- Hoje em dia,  todas as baterias evoluíram bastante e cada uma com um estilo diferente. Falando especificamente na Imperatriz, eu me preocupo muito com um bom andamento, onde podemos ouvir uma bateria com seus naipes padronizados, sem agredir outros naipes, ou seja,  todos os instrumentos  tocando a mesma batida , não podendo faltar  o desenho nos surdos de terceira. De longe, quem escuta ja sabe, "lá vem o Swing da Leopoldina" (risos).

10) De onde e como surgiu essa denominação “swing da Leopoldina”?

MARCONE - Esse nome foi dado pelo amigo Preto Jóia (intérprete) na época que assumi a bateria. Ele me disse  assim: "Temos que dar um nome a essa bateria", surgindo essa  denominação que hoje é a nossa marca.
Luiza Brunet e mestre Marcone
Foto: Arquivo pessoal




11) Luiza Brunet é a rainha que toda bateria deveria ter?

MARCONE- Luiza, sem dúvida, é uma grande rainha, está  sempre simpática  e atendendo a todos que estão ao seu redor.


12) Como você encarou essas duas sensações distintas : ano passado como a única bateria a receber todas as notas dez e esse ano não conseguindo repetir o feito?

 MARCONE- No ano passado, foi uma emoção muito grande, que sinto até hoje ao lembrar,  afinal ganhar dez nos cinco módulos julgadores é uma  prova  de evolução que a bateria teve em quatro anos com o  meu trabalho. O  fato de no último carnaval não ter ganho cinco notas dez não me abalou,  afinal, tenho certeza que a bateria fez uma grande apresentação e sempre busco a criatividade e a ousadia a cada ano. Isso nos faz ter a consciência tranquila, uma vez que nem  Jesus Cristo agradou a todos.

13) Na sua opinião, os atuais sambas de enredo vem ajudando o trabalho dos mestres de bateria?

MARCONE- Com certeza, para mim, o samba tem 50% de participação em um grande trabalho de uma bateria. A ala de compositores da Imperatriz está de parabéns.



14) Diante da maneira que está sendo conduzido o julgamento do carnaval, falando especificamente no quesito bateria, você tem total liberdade para realizar inovações ou você fica  “amarrado” a algum critério, temendo não alcançar a pontuação máxima?

MARCONE - Sempre procuro ter uma bateria criativa e ousada, não ficamos "amarrados" a nada!


Mestre Marcone
Foto: Arquivo Pessoal
15) Na sua opinião, o uso do “ metrômetro” para fazer a mediação do ritmo da bateria é uma inovação positiva ou negativa?

MARCONE- Não  uso,  prefiro confiar nos meus ouvidos para poder avaliar se a bateria está cadenciada ou acelerada.


16) Gostou da escolha do enredo que a Imperatriz irá levar para a Sapucaí em 2012?

MARCONE- Gostei muito, Jorge Amado foi um grande homem da literatura brasileira. Podem esperar que a Imperatriz vai fazer um grande carnaval. Salve a Bahia, salve Jorge Amado.




17) Já começaram os ensaios? O que podemos esperar da bateria da Imperatriz para o carnaval do ano que vem?

MARCONE- Os ensaios começaram no último dia 6 de junho, com dois meses antes da temporada de disputa de sambas de  enredo. Assim, podemos trabalhar com mais folga e fazer uma grande apresentação no desfile.

 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mestre Paulinho no comando da swingueira de Noel

Por Artur Bernardes

Se você chegar em uma quadra de escola de samba e perguntar por Paulo Botelho , com certeza poucas pessoas vão saber responder, mas se você perguntar pelo "Mestre Paulinho",   a resposta será diferente. Não tem como dizer que não conhece esse carioca nascido nas Laranjeiras, mas criado na Tijuca, casado, vascaino, músico de mão cheia, tendo tocado com ínúmeros artistas nacionais, como o Rei Roberto Carlos , Simone e Zeca Pagodinho, e também internacionas com o maestro Isac Karabtsnewsk e Rick Martin. No próximo Carnaval, esse vascaíno e apaixonado por música volta à Sapucaí, depois de coordenar os ritmistas do Salgueiro,agora dividindo o comando da bateria da Unidos de VIla Isabel. Para contar suas experiências, Mestre Paulinho gentilmente abriu as portas de sua casa e do seu coração nessa entrevista exclusiva.

Como surgiu essa sua paixão pelo samba e pelo carnaval?

Aos nove anos de idade, eu fui à quadra do Salgueiro e comecei a frequentar os ensaios. Mas meus pais se separaram e eu fui morar em Pilares, onde passei a frequentar a quadra da Caprichosos, onde comecei como ritmista.

Qual a era a sua ocupação antes de se tornar mestre de bateria?

Antes de assumir a bateria de uma escola de samba, eu trabalhei com a cantora Simone, minha grande amiga , durante algum tempo. Isso começou  em uma gravação do Fantástico (programa dominical da TV Globo) em um quadro onde teria a participação de ritmistas. Por ideia minha, ela tocou alguns instrumentos dentro da nossa bateria e foi um sucesso. A partir daí, ela levou isso para os seus shows e me convidou para tocar na banda dela. 

Conte-nos um pouco da sua trajetória dentro do carnaval como mestre de bateria.


A minha primeira escola de Samba como ritmista foi a Caprichosos de Pilares (de 1986 a 1990 ),  Viradouro (entre 1991 e 1996). Em 1995, eu recebi uma proposta da Beija-flor, mas já tinha acertado com a Portela, onde estive em 96 e 97, já à frente da bateria. No primeiro ano, eu obtive nota máxima, mas a má conduta da diretoria da escola no  ano seguinte levou alguns ritmistas incorfomados a boicotaram a bateria no dia do desfile. Em 1997, fui convidado pelo atual diretor de carnaval da Beija-flor, para que o ajudasse a montar uma bateria com a cara da escola, que  tinha perdido a identidade. Fiquei lá de 1997 a 2009, onde me identifiquei muito com a comunidade, que me acolheu de braços abertos. Lá conquistei seis títulos e cinco vice-campeonatos. Em 12 anos no comando da bateria da escola, só perdi três décimos.

Contra fatos não existem argumentos. Então, podemos dizer que a Beija-flor foi a escola com a qual você mais se identificou ?

Com certeza, eu tenho um carinho enorme, um amor muito grande pela escola  e pela comunidade.


Qual foi o real motivo da sua saída da escola?

A minha saída se deveu exclusivamente  às atitudes tomadas pelo Laíla. Em primeiro lugar, eu não concordava com a maneira como ele definia o critério de escolha do samba-enredo da escola, mas até ai tudo bem, não estava interferindo dentro do meu departamento. Mas infelizmente ele começou a se intrometer no meu trabalho, o que eu achava inadmissível. Eu tinha total liberdade do Sr. Anisio para trabalhar e fazer o meu trabalho que, diga-se de passagem, era bem feito. Se fôssemos considerar a Beija-flor uma empresa, eu era um funcionário que produzia e dava retorno à escola. O meu departamento, em 12 anos, perdeu somente três décimos, como ele ia se meter, não tendo nada de errado?

Chegou ao ponto de em um ensaio na Sapucaí ele querer colocar o dedo no meu rosto, isso eu não admito. Eu mereço respeito, como um funcionário que dava retorno à escola e como homem. Nunca faltei com o respeito a ele e nem me metia no trabalho dele. Com certeza o motivo foi o lado pessoal. Ele ficou incomodado com o meu sucesso alcançado dentro da escola,com o meu trabalho, meu carisma e a minha liderança natural.

Pelo seu trabalho à frente da escola, muito se especulava que você era o funcionário melhor remunerado lá dentro. Isso condiz com a realidade?

Eu só tenho a agradecer à Beija-flor pela oportunidade de desenvolver o meu trabalho com total estrutura, mas em relação à remuneração, eu recebia da escola o valor de R$ 1.000. Eu completava o meu salário com eventos, shows , palestras e com patrocínios. Falando em patrocínio, eu levei a rede de supermercados Guanabara para ser patrocinador da escola.

Ficou alguma mágoa pela maneira como foi conduzida  a sua saída da escola?

Mágoa, não, mas logo quando saí da escola eu cheguei a ficar em depressão, tentando encontrar o real motivo para esse problema que estava acontecendo. Foi um período muito ruim na minha vida.


Mesmo assim, você ficou satisfeito com o título para a sua ex-escola neste carnaval?

Fico feliz pelo título da Beija-flor, uma vez que o grande homenageado é meu amigo. 


Como é  a sua amizade com o Rei Roberto Carlos ?

Uma amizade sincera e  verdadeira que foi pautada na sinceridade. O Roberto é um cara super simples e uma figura humana incomensurável. Eu posso afirmar que eu levei Rei para o convívio da escola.



Você considera que o fato de trabalhar com seus dois filhos a cobrança era maior? Como é seu relacionamento profissional com Vitor e Douglas, que foram seus diretores de bateria?

 É o que seu sempre falava com eles. Em casa é uma coisa, no trabalho era outra. Não tinham privilégios nenhum por serem meus filhos. A cobrança realmente era muito forte. Independente de serem meus filhos, eu sempre exigi, não só deles mas de todos os outros diretores, muito profissionalismo, dedicação e respeito com a escola. Teve um fato até inusitado. No enredo que a Beija-flor falava sobre a África, por divergências, eu cortei o Vitor do desfile. 


No Carnaval 2011, mestre Paulinho coordenou a bateria
do Salgueiro
No quesito bateria, como você analisa atualmente o nível das baterias que passam atualmente na Avenida?

Hoje em dia, digamos assim, até por  "imposição" dos jurados, a bateria passa com pouco rítmo e  com muitas paradinhas. Mesmo tendo a certeza que a grande maioria dos mestres de atualmente tem totais condições de fazer, isso está prejudicando o andamento do desfile, uma vez que a sustentação do samba em si fica fraca. Gostaria até de fazer até um apelo a Liesa e à Riotur: não deixem a parte mais gostosa e emocionante do samba acabar. Essa história que inventaram de medir bateria de escola de samba com metrômetro é uma burrice, uma ignorância. O ritmista toca com amor, coração. Isso nasce com a pessoa.

Alguma bateria ou mestre que vem passando na Avenida marece um destaque da sua parte?

Eu cito o mestre Thiago Diogo (Porto Da Pedra), Marcone (Imperatriz) e o mestre de bateria da União de Jacarepaguá, Marcus Vinicius. 

Como surgiu o convite e como foi a sensação de voltar a avenida em 2011 pelo Salgueiro?
   
Em primeiro lugar, gostaria de deixar bem claro aos outros mestres de bateria que, quando vou a alguma quadra, visitar, "curtir" um ensaio , não vou com o intuito de cavar ou tirar o lugar de ninguém. Quem me conhece sabe que tenho ética e respeito pelos meus colegas. Em dezembro de 2010, o "destemido" Marcão, essa figura humana maravilhosa pela qual eu tenho um total respeito , carinho e sou muito agradecido, convidou não só a mim, mas  alguns mestres  que estavam fora do carnaval, para vir à frente da bateria do Salgueiro com ele.

Existem rumores de que, se a presidente do Salgueiro, Regina Celi, for reeleita, mestre Marcão assume a vice-presidência da escola e você assume a bateria do Salgueiro. Isso é verdade?

Que eu saiba não, isso nunca chegou ao meu conhecimento, até porque, como falei, não tenho a intenção de tomar o lugar de nenhum colega, ainda mais o do Marcão.

Falando agora sobre fatos, como é voltar ao carnaval à frente de uma escola tão tradicional como a Unidos de Vila Isabel ?

É uma satisfação muito grande.Estou voltando ao carnaval, com muita garra e vontade de fazer o melhor pela escola ali no meu segmento, que é a  bateria.  A escola atende a tudo que é necessário para fazer um bom trabalho, tem uma excelente estrutura e dá totais condições de trabalho.

Como surgiu o convite para assumir a bateria da escola de Noel?

Gostaria de deixar bem claro que eu só aceitei começar a negociar depois que o Átila saiu oficialmente da bateria. O convite surgiu  do  próprio presidente Wilsinho que, junto ao (Evandro) Bocão, queria dar um outro rumo ao segmento de bateria. Então, optaram pela minha experiência e conhecimento no assunto, junto com a juventude e também conhecimento do Wallan. Foi tudo bem rápido; na quinta-feira,  o presidente fez o convite, na sexta estava em Brasilia e conversamos pelo telefone e, já no sábado, fui apresentado.


Espera encontrar algum tipo de resistência dentro da bateria ou da escola?

Posso te adiantar que nunca fui tão bem recebido por nenhuma escola como fui na Vila Isabel. O mestre Mug, o próprio Wallan e todos os segmentos da escola me trataram com muito carinho e respeito. Que fique bem claro que estou chegando à Vila para agregar e somar junto ao Wallan, resgatando a tradição do ritmo da bateria da Vila Isabel.



O novo comandante da Swuingueira de Noel

Por Artur Bernardes

Se você chegar em uma quadra de escola de samba e perguntar por Paulo Botelho , com certeza poucas pessoas vão saber responder, mas se você perguntar pelo "mestre Paulinho" não tem como dizer que não conhece, esse carioca nascido nas laranjeiras, mas criado na Tijuca, casado, vascaíno, músico de mão cheia, tendo tocado com inúmeros artistas nacionais, como o Rei Roberto Carlos , a cantora Simone, Zeca pagodinho  entre outros e artistas internacionais com o maestro Isac Karabtsnewsk e Rick Martin e que tem na Sapucaí o seu point preferido ,  de volta ao carnaval, no comando da bateria da Unidos de Vila Isabel abriu as portas de sua casa e do seu coração para essa entrevista exclusiva.


1-  Paulinho como surgiu essa sua paixão pelo samba e pelo carnaval ?

  Paulinho - Aos 09 de idade eu fui a quadra do Salgueiro e comecei a freqüentar os ensaios, meu pais se separaram e eu fui morar em Pilares onde passei a freqüentar a quadra da  Caprichosos de Pilares.


2- Qual foi a primeira escola que você desfilou como ritmista ?

    P- Caprichosos de Pilares


3-Conta um pouco da sua trajetória dentro do carnaval como mestre de bateria.?
 
    P- Antes de responder, gostaria de destacar que antes de assumir a bateria de uma escola de samba eu trabalhei com a Simone minha grande amiga  , durante algum tempo, isso começou  em uma gravação do fantástico em um quadro onde teria a participação de ritmistas, por idéia minha ela tocou alguns instrumentos dentro da nossa bateria e foi um sucesso.

Apartir dai ela levou isso p/ show dela e me convidou para tocar na banda dela.

A minha primeira escola de Samba como ritmista foi a Caprichosos de Pilares de (86 à 90 ),  Viradouro (91 à 96), um detalhe a ser destacado é que em 1995 eu recebi uma proposta da Beija Flor  , mas já tinha acertado com a Portela.

Na escola permaneci de 96 `a 97, já à frente da bateria da Portela eu obtive nota máxima no primeiro ano , porém no  segundo ano dentro da escola , por má conduta da diretoria da escola , alguns ritmistas incorfomados com algumas coisas, no dia do desfile boicotaram a bateria.

 Em 1997 fui convidado pelo atual diretor de carnaval da Beija Flor, para que o ajudasse a montar uma bateria, com a cara da escola , uma vez que a bateria da Beija Flor  tinha perdido a identidade.

Em Nilópolis fiquei de 1997 à 2009,onde me identifiquei muito, com a comunidade que sempre me respeitou e me acolheu de braços abertos , conquistei 6 títulos e 5 vice campeonatos .
Em 12 anos no comando da bateria da escola só perdi 0,3 décimos , com 8 (oito) anos seguidos tirando nota 10.

4- Contra fatos não existem argumentos então podemos dizer que a Beija Flor foi a escola no qual você
mais se identificou ?

 P- Com certeza, eu tenho um carinho enorme, um amor muito grande pela escola  e pela comunidade.


5- Qual foi o real motivo da sua saída da escola ?

P-  A minha saída se deve exclusivamente  as atitudes tomadas pelo Laíla, em primeiro lugar não concordava com a maneira como ele definia o critério de escolha do samba enredo da escola , mas até ai tudo bem, não estava interferindo dentro do meu departamento.



Mas infelizmente ele começou a se intrometer no meu trabalho, fato inadmissível, eu tinha total liberdade do Sr Anísio para trabalhar e fazer o meu trabalho que, diga-se de passagem era bem feito, se fossemos considerar a Beija Flor uma empresa, eu era um funcionário que produzia e dava retorno a escola , o meu departamento em 12 anos perdeu somente 0,3 décimos como ele ia se meter, não tendo nada  de errado.

Chegou ao ponto de em um ensaio na Sapucaí, ele querer colocar o dedo no meu rosto , isso eu não admito. Eu mereço respeito, como um funcionário que dava retorno a escola e como homem, nunca faltei com o respeito à ele e nem me metia no trabalho dele.

E com certeza o terceiro motivo foi o lado pessoal, ele ficou incomodado com o meu sucesso pessoal alcançado dentro da escola ,com o meu trabalho , meu carisma e a minha liderança natural.

6- Pelo seu trabalho à frente da escola muito se especulava que você era o funcionário melhor remunerado dentro , isso condiz com a realidade ??

P- Olha eu só tenho a agradecer a Beija Flor pela oportunidade de desenvolver o meu trabalho com total estrutura , mas em relação a remuneração eu recebia da escola o valor de R$ 1.000,00 eu completava o meu salário com eventos, shows , palestras e com patrocínios.
Falando em patrocínio eu levei a rede de supermercados Guanabara para ser patrocinador da escola.

7- Ficou alguma mágoa pela maneira como foi conduzida  a sua saída da escola ??

 P- Mágoa não ,mas logo quando sai da escola cheguei a ficar em depressão , tentando encontrar o real motivo para esse problema que estava acontecendo.

Foi um período muito ruim na minha vida.

8- Como é seu relacionamento  digamos assim profissional com seus 2 ( dois ) filhos ( "vitinho" e Douglas) que foram seus diretores de bateria ?? por serem seus filhos a cobrança era maior ?

 P- É o que seu sempre falava com eles , em casa é uma coisa, no trabalho era outra.

Não tinham privilégios nenhum por serem meus filhos , a cobrança realmente era muito forte.

Independente de serem meus filhos eu sempre exigi , não só deles mas de todos os outros diretores muito profissionalismo, dedicação e respeito com a escola.

Teve um fato até inusitado, no enredo que Beija Flor falava sobre a África, por divergências  eu cortei meu filho  Vitor do desfile.

9-  Falando no quesito bateria , como vc analisa atualmente o nível das baterias que passam atualmente na Avenida  ?


P- Hoje em dia, digamos assim até por  " imposição" dos jurados a bateria passa com pouco ritmo e  com muitas paradinhas.

Mesmo tendo a certeza que a grande maioria dos mestres de atualmente tem totais condições fazer, isso está prejudicando o andamento do desfile , uma vez que a sustentação do samba em si fica fraca.

Gostaria até de fazer até um apelo a Liesa, a Riotur que não deixem a parte mais gostosa e emocionante do samba acabar.

Essa história que inventaram de medir bateria de escola de samba com metrômetro é uma burrice, uma ignorância, o ritmista toca com amor, coração isso nasce com a pessoa.

10- Alguma bateria ou mestre que vem passando na Avenida merece um destaque da sua parte ??

  P - Eu cito o mestre Thiago Diogo ( Porto Da Pedra), Marcorne ( Imperatriz) e o mestre de bateria da União de Jacarepaguá, que agora não me recordo o nome.

11- Como surgiu o convite e como foi a sensação de voltar a avenida esse ano pelo Salgueiro  ?
   
    P- Em primeiro lugar gostaria de deixar bem claro aos outros mestres de batéria que quando vou à alguma quadra , visitar, "curtir" um ensaio , não vou com o intuito de cavar ou tirar o lugar de ninguem, quem me conhece sabe que tenho ética e respeito pelos meus colegas.

 Em Dezembro de 2010 o "destemido" Marcão essa figura humana maravilhosa, na qual eu tenho um total respeito , carinho e sou muito agradecido  me convidou , mas não só eu mas  alguns mestres  que estão fora do carnaval pra vir a frente da bateria do Salgueiro com ele.

12- Existiam Rumores que se a Presidenta do Salgueiro, Regina Duran sendo reeleita , o mestre Marcão assume a vice presidência da escola e você assume a bateria do Salgueiro isso é verdade ??

 P_  Que eu saiba não, isso nunca chegou ao meu conhecimento, até porque como te falei não tenho a intenção de tomar o lugar de nenhum colega, ainda mais o Marcão.

14- Paulinho como é voltar ao carnaval depois de (02 ) dois anos fora, à frente de uma escola tão tradicional como a Unidos de Vila Isabel ?

P-É uma satisfação muito grande ,  estou voltando ao carnaval, com muita garra e vontade de fazer o melhor pela escola, ali no meu segmento que é a  bateria. A escola atende a tudo que é necessário para fazer um bom trabalho, tem uma excelente estrutura e dá totais condições de trabalho.

14-  Como surgiu o convite ??

P- Bom, antes de responder essa pergunta quero que  fique bem claro que eu só aceitei a conversar com o presidente , após o desligamento oficial do Átila. O convite surgiu  do  próprio presidente que junto com o Bocão queriam dar um outro rumo ao segmento de bateria , então optaram pela minha experiência, conhecimento no assunto , junto com a juventude e tbm conhecimento do Wallan. Foi tudo bem rápido na quinta o presidente fez o convite, na sexta estava em Brasilia e conversamos pelo telefone e no sabado fui apresentado.

15- Espera encontrar algum tipo de resistência dentro da bateria ou da escola?/

P- Posso te adiantar que nunca fui tão bem recebido por nenhuma escoal como fui na Vila Isabel, o mestre Mug, o próprio Wallan e todos os segmentos da escola me trataram com muito carinho e respeito.
Que fique bem claro que estou chegando na vila para agregar e somar junto com o Wallan, resgatando a tradição do ritmo da bateria da Vila Isabel


15- Como é  a sua amizade com o Rei Roberto Carlos ?

P- Uma amizade sincera e  verdadeira que foi pautada na sinceridade, o Roberto é um cara super simples e uma figura humana imensurável.

Eu posso afirmar que eu levei Rei para o convivo da escola

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O maestro da Sinfônica

Por Artur Bernardes

Entrevista marcada, começa o anoitecer em Madureira. Por volta das 20h30min, em uma quarta-feira de muito calor no Rio de Janeiro, eis que chega na quadra, ou melhor, entra em sua casa, como o mesmo disse, sempre simpático e receptivo com a comunidade imperiana , distribuindo apertos de mão , sorrisos , abraços  e resolvendo as questões referentes ao seu departamento de bateria. Esse carioca , nascido e criado em Cascadura, torcedor do Flamengo e muito bem casado, como o próprio fez questão de frisar, vem nos contar um pouco da sua trajetória no mundo do samba.



Mestre Gilmar
Foto: Artur Bernardes
1- De que maneira começou essa paixão pelo carnaval e pelo samba ?

GILMAR- Começou com certeza por influência da familia. Todo fim de semana, no quintal da minha casa, tinha uma roda de samba e pagode

2- Conte uma pouco da sua trajetória no samba:

GILMAR- Começou na Mangueira, onde desfilei na escola-mirim aos 11 anos de idade. Aos 12 anos, por influência da minha irmã , fui assistir a um ensaio de rua do Império,  me apaixonei e estou aqui há 20 anos no total, sendo dois como mestre.

3- Algum mestre influenciou a sua trajetória ?

 GILMAR-  Sim, o finado mestre Alcir Explosão, que era da Mangueira

4- Como foi a transição da saida do Átila e a sua efetivação como meste da bateria do Império ?

GILMAR-  Posso te dizer que foi bem tranquila, uma vez que eu ja conhecia a escola, os ritmistas e a comunidade

5- Demorou muito para você implementar seu estilo de comandar a bateria ?

GILMAR- Não , uma vez que o meu estilo de comandar a bateria foi um estilo que também agradou aos ritmistas, sempre com uma ousadia e  uma inovação.



Mestre Gilmar e seus diretores de bateria
Foto Artur Bernardes

6-  Qual é a importância dos seus diretores de bateria ?

GILMAR- Total, completa e essencial.

7- Qual a diferença na sua opinião da bateria do  Império Serrano para as outras ?

GILMAR-   A característica de sempre, ou seja, a nossa bateria conserva isso, é claro, com algumas inovações e  ajustes no toque de caixa e na marcação de terceira.

8- Como surgiu essa denominação, de orquestra sinfônica do samba para a bateria do Império ?

GILMAR- Bom, estavamos fazendo uma apresentação onde tinha como convidada uma orquestra sinfônica e o maestro  ao escutar o som da bateria, foi falar com o Átila, que na época era o mestre da escola,  foi dito por ele que   a nossa bateria  ao tocar,  emitia um som harmônico de todos os instrumentos ,  sincronia de movimentos , limpeza no som  e esse  som emitido era digno de uma orquestra.

9- Existe aquela velha máxima no futebol que só tem coisas que acontecem com  o Botafogo e no samba, de que tem coisas que só acontecem ao Império, você concorda com a afirmação dos imperianos que a escola é sempre prejudicada ?

GILMAR- Assim, erros sempre acontecem  uma vez que quem julga são seres humanos e todos estão propícios a erros, mas dai a  falar que a escola é sempre prejudicada não, digamos que as vezes sim.

10- Mesmo a escola não conseguindo se manter no grupo especial e tendo uma carência de titulos , vc ainda considera o Império Serrano como um grande "gigante" do carnaval carioca ?



Os diretores de bateria
Foto: Artur Bernardes

GILMAR- Com certeza, basta olhar a história, a tradição e o respeito que todos tem  pela escola.
O império Serrano é uma referência no carnaval carioca.

11- O que vc achou da escolha do enredo para o carnaval de 2011 ?

GILMAR- Achei uma escolha postiva , falar de Vinícius de Morais é sempre sinal de uma boa história e no caso um ótimo enredo.

12- Então podemos afirmar que o poetinha vai dar samba ?

GILMAR- Com certeza, como diz a letra do samba, com a força de xangô

13- Vânia Love é a rainha que toda bateria gostaria de ter ?

GILMAR - É a rainha que a bateria do império gostou de ter, ela é carismática, bonita , simples e simpática.
Eu costumo dizer que a Vânia conquistou o seu espaço ao nosso lado.

14- O que o Império Serrano significa na sua vida ?

GILMAR-Tudo,  o Império serrano é a minha vida , está presente em tudo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Os comandantes da bateria nilopolitana

Por Artur Bernardes
Passado o descanso providencial do fim de semana, eis que chega a segunda-feira, onde a rotina de trabalho volta ao normal. Mas engana-se quem pensa que, para o  ritmista da Beija-flor,  a noite em Nilópolis significa a volta ao aconchego do lar após mais um dia no batente. Os integrantes  da bateria nota 10 batem ponto a partir das 20h na quadra  da escola para mais uma noite de ensaio, paradinhas e acertos visando o carnaval 2011, sob o comando de Rodney Ferreira e Plinio de Morães.

Mestre Plínio e mestre Rodney
Foto: Artur Bernardes

Rodney é carioca e solteiro.  Dos seus 46 anos de vida,13 são  dedicados à bateria da Beija-flor. Fora do carnaval, é um músico de mão cheia, e  traz consigo no peito o amor pelo América.
Ao seu lado, comandando a bateria, está o meritiense Plínio, também solteiro, que ao longo do ano trabalha como músico, tendo dos seus 55 anos, 38 dedicados aos surdos e tamborins da escola de Nilópolis. Na sua veia, corre o sangue vermelho e preto do Flamengo.


Confira a entrevista:

De que maneira começou a paixão pelo samba?
RODNEY-  Começou através de um bloco de rua chamado Fla-Méier. Faltou um integrante e, como eu sempre estava assistindo aos ensaios, me deixaram tocar.
PLÍNIO- Começou em São Mateus , no bloco Mocidade de São Mateus.

Qual foi a primeira escola de samba em que desfilaram como ritmista?
RODNEY- Foi na Lins imperial.   
PLÍNIO- Foi na Em cima da hora.

Desde quando integram a bateria da Beija-flor?
RODNEY-   Estou exatamente há 13 anos na bateria da Beija-flor e o segundo ano à frente como mestre.
PLÍNIO-  Exatamente  28 anos na bateria. Como ritmista, entrei  em 1972   e fui diretor a partir de 1997.
Existe uma integração da bateria com a Raissa (rainha da Beija-flor)?

RODNEY- Sim, ela é da comunidade, vimos a Raissa criança. Ela está sempre junto com a nossa bateria.
PLÍNIO-  Sim , ela está sempre ao lado da bateria.

Os ritmistas assimilaram bem essa divisão de comando?

RODNEY- Sim, uma vez que os ritmistas convivem comigo e com o Plinio há um bom tempo. Eu posso dizer que, hoje em dia, a bateria da Beija-flor tem a nossa cara.
PLÍNIO- Assimilaram de uma maneira muito positiva esse comando, uma vez que somos unidos, resumindo, somos uma família.

Diretores de bateria
Foto: Artur Bernardes
No que a bateria da Beija-Flor se diferencia das outras , tendo a sua marca própria ?

RODNEY- É uma bateria bem “suingada” , prezando pela afinação. A bateria da Beija-flor é bem educada com relação ao som produzido por cada instrumento.
PLÍNIO -    No conjunto e na alegria.




Qual é a importância dos seus diretores de bateria no trabalho desenvolvido ?

RODNEY-  Temos uma equipe de trabalho maravilhosa , estamos super entrosados, os diretores de bateria com os de harmonia . Por exemplo, hoje é o ensaio da bateria e o meu diretor de harmonia está aqui dando uma força.
PLÍNIO-  Total, uma vez que, como já citei anteriormente, somos todos unidos.

Teremos alguma inovação da bateria da Beija-flor para o Carnaval de 2011?

RODNEY- O torcedor da Beija-flor pode esperar muita raça e garra da bateria  e terá, sim, uma novidade, mas dentro da melodia que o samba pede.
 PLÍNIO-  Pode esperar, sim, mas não podemos revelar agora.

Em sua opinião, a escola acertou ao escolher o enredo falando sobre  o Rei Roberto Carlos?

RODNEY- É um grande enredo. A escola tem tudo para fazer um belíssimo desfile.
PLÍNIO- Eu gostei muito, uma vez que sou fã do Rei e acompanho a carreira dele.

A emoção de estar comandando a bateria em 2011 , onde o enredo  fala de uma pessoa tão amada e querida por todos os brasileiros, vai ser diferente?

RODNEY- São tantas emoções (risos).  Vai sim, eu costumo dizer que a Beija- flor nunca teve a opinião pública a seu favor e, com esse enredo falando sobre uma pessoa tão querida e popular , a Beija-flor vai realmente mostrar que é uma escola do povo. A nossa direção de carnaval acertou em cheio.
PLÍNIO-  Com certeza , além de ser fã do Rei , na minha opinião, vai ser um enredo muito bem desenvolvido pela nossa comissão de carnaval.

Já que vocês  tocaram no assunto, como é o relacionamento  de vocês com a direção de carnaval da escola?

RODNEY-  Eu posso dizer que é maravilhosa, agradeço sempre o apoio que eu e o Plínio temos deles. Quero agradecer a todos, em especial ao Laíla , pela oportunidade, por acreditar no nosso trabalho e por estar sempre ao nosso lado.
PLÍNIO- Uma relação de união, profissionalismo e amizade.

 Rodney,  Diretor de harmonia Valber Frutuoso e Plínio  
Foto: Artur Bernardes

 O que significa a Beija-flor de Nilópolis na vida de vocês?

RODNEY- Eu vou resumir: a Beija-flor é a minha vida e o meu amor.
PLÍNIO- Significa muita coisa.  Uma casa e uma família, onde tenho total liberdade e carinho.