quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os comandantes da bateria Coração Valente

Por Artur Bernardes

No mesmo patamar dos versos do samba-exaltação da escola de Pilares “Deixa serenar / que eu te aqueço no calor do meu amor”, a bateria da Caprichosos de Pilares, agora denominada Coração Valente (o nome foi revelado em primeira mão ao OAbrealas), aquece o coração dos ritmistas da agremiação azul-e-branco. No comando, os mestres Alexandre Reis e Vagner Oliveira, o “Zumbi”, que carregam a Caprichosos com muitas paradinhas e dedicação incondicional.
Mestre Alexandre e Mestre Zumbi
Foto: Artur Bernardes
Alexandre é carioca e casado. Dos 43 anos de vida, 8 foram dedicados à bateria. Fora do Carnaval, ele se encarrega do comando dos volantes, já que trabalha como motorista. Ao seu lado, o conterrâneo Zumbi, de 32 anos, que durante o ano atua como técnico de enfermagem e completa três carnavais à frente da escola de Pilares.
Um é flamenguista de coração; o outro, vascaíno doente. Mas a rivalidade fica nos estádios de futebol, porque na Saspucaí, eles se unem por um mesmo objetivo: contagiar os foliões com uma bateria de respeito.

De que maneira começou a paixão pelo samba ??
ALEXANDRE- Começou quando eu desfilei pelo bloco carnavalesco Boncetal, que desfilava pela Rua João Ribeiro, em Pilares
ZUMBI- Na minha infância, ao acompanhar os ensaios da Caprichosos de Pilares com a minha mãe.

Qual foi a primeira escola de samba que você desfilou como ritmista ?
ALEXANDRE- A primeira vez que eu desfilei como ritmista não foi por uma escola de samba, e sim pelo bloco Boêmios de Irajá
ZUMBI- A primeira escola de samba no qual eu desfilei como ritmista foi na Acadêmicos do Engenho da Rainha.

Em qual escola de samba você teve a sua primeira oportunidade como mestre de bateria ?
ALEXANDRE - A primeira e única escola de samba que me abriu essa porta foi a Caprichosos de Pilares.
ZUMBI - Foi na Caprichosos de Pilares

Tem algum mestre de bateria que você admira e se espelhou no começo da sua carreira ?
ALEXANDRE - O falecido mestre Ricardo e o mestre Paulinho.
ZUMBI - Tem alguns nomes que fizeram parte da minha trajetória dentro do samba, que foram os mestres Cosme, Paulo Renato, Mestre louro e Mestre Alexandre.

Diretoria de bateria da caprichosos
Foto: Artur Bernardes


Dois mestres à frente da bateria ajuda o trabalho?
ALEXANDRE - Aqui na Caprichosos funciona muito bem essa divisão , uma vez que o trabalho é realizado com muita união e harmonia.
ZUMBI - Somos uma família, divergências de opinião buscando melhor para a escola acontecem, mas tudo dentro do normal e sempre com muita união.

Os ritmistas assimilaram bem essa divisão de comando ?
ALEXANDRE - No começo, houve um certo receio, mas, com o passar do tempo, as coisas foram entrando em sintonia e foi bem assimilado. O Zumbi foi meu diretor e eu enxerguei nele uma garra, vontade e gana de poder contribuir um pouco mais para a bateria da escola.
ZUMBI- Assimilaram de uma maneira muito positiva esse comando.

Em que sentido a bateria da Caprichosos de Pilares se diferencia das outras . Qual a sua marca própria?
ALEXANDRE - Alguns anos atrás, a bateria da caprichosos tinha sua característica própria na batida das caixas. Com o passar do tempo, isso foi mudando, e atualmente se caracteriza pelo seu naipe de marcação, que é muito forte e próprio da escola.
ZUMBI- A paixão. Aqui o ritmista bate com o coração na ponta da baqueta e, em primeira mão para o site OAbrealas, a nossa bateria será denominada daqui pra frente de Coração Valente.

Qual é a importância dos seus diretores de bateria no trabalho desenvolvido?
ALEXANDRE- Ela é importantíssima, uma vez que o trabalho é dividido em três partes: tem diretor que atua na parte burocrática, um na parte da manutenção dos instrumentos e outro auxiliando nos ensaios.
ZUMBI- Eles são de suma importância para o nosso sucesso. Costumo dizer que, dentro da Sapucaí, são eles quem comandam a bateria.

O que representa a Caprichosos de Pilares na sua vida?

Mestre Alexandre e seu filho, ritmista da escola
Foto: Artur Bernardes

ALEXANDRE - Ela representa tudo de bom na minha vida, foi onde a minha história no samba começou. Cheguei aqui ainda garoto, com 11 ou 12 anos e, hoje em dia, estou com 43 anos e permaneço aqui. É amor mesmo.
ZUMBI - Aqui é o quintal da minha casa, é o ar que eu respiro e, com certeza, faremos de tudo para conduzir a escola de volta ao Grupo Especial.