domingo, 12 de dezembro de 2010

Os comandantes da bateria nilopolitana

Por Artur Bernardes
Passado o descanso providencial do fim de semana, eis que chega a segunda-feira, onde a rotina de trabalho volta ao normal. Mas engana-se quem pensa que, para o  ritmista da Beija-flor,  a noite em Nilópolis significa a volta ao aconchego do lar após mais um dia no batente. Os integrantes  da bateria nota 10 batem ponto a partir das 20h na quadra  da escola para mais uma noite de ensaio, paradinhas e acertos visando o carnaval 2011, sob o comando de Rodney Ferreira e Plinio de Morães.

Mestre Plínio e mestre Rodney
Foto: Artur Bernardes

Rodney é carioca e solteiro.  Dos seus 46 anos de vida,13 são  dedicados à bateria da Beija-flor. Fora do carnaval, é um músico de mão cheia, e  traz consigo no peito o amor pelo América.
Ao seu lado, comandando a bateria, está o meritiense Plínio, também solteiro, que ao longo do ano trabalha como músico, tendo dos seus 55 anos, 38 dedicados aos surdos e tamborins da escola de Nilópolis. Na sua veia, corre o sangue vermelho e preto do Flamengo.


Confira a entrevista:

De que maneira começou a paixão pelo samba?
RODNEY-  Começou através de um bloco de rua chamado Fla-Méier. Faltou um integrante e, como eu sempre estava assistindo aos ensaios, me deixaram tocar.
PLÍNIO- Começou em São Mateus , no bloco Mocidade de São Mateus.

Qual foi a primeira escola de samba em que desfilaram como ritmista?
RODNEY- Foi na Lins imperial.   
PLÍNIO- Foi na Em cima da hora.

Desde quando integram a bateria da Beija-flor?
RODNEY-   Estou exatamente há 13 anos na bateria da Beija-flor e o segundo ano à frente como mestre.
PLÍNIO-  Exatamente  28 anos na bateria. Como ritmista, entrei  em 1972   e fui diretor a partir de 1997.
Existe uma integração da bateria com a Raissa (rainha da Beija-flor)?

RODNEY- Sim, ela é da comunidade, vimos a Raissa criança. Ela está sempre junto com a nossa bateria.
PLÍNIO-  Sim , ela está sempre ao lado da bateria.

Os ritmistas assimilaram bem essa divisão de comando?

RODNEY- Sim, uma vez que os ritmistas convivem comigo e com o Plinio há um bom tempo. Eu posso dizer que, hoje em dia, a bateria da Beija-flor tem a nossa cara.
PLÍNIO- Assimilaram de uma maneira muito positiva esse comando, uma vez que somos unidos, resumindo, somos uma família.

Diretores de bateria
Foto: Artur Bernardes
No que a bateria da Beija-Flor se diferencia das outras , tendo a sua marca própria ?

RODNEY- É uma bateria bem “suingada” , prezando pela afinação. A bateria da Beija-flor é bem educada com relação ao som produzido por cada instrumento.
PLÍNIO -    No conjunto e na alegria.




Qual é a importância dos seus diretores de bateria no trabalho desenvolvido ?

RODNEY-  Temos uma equipe de trabalho maravilhosa , estamos super entrosados, os diretores de bateria com os de harmonia . Por exemplo, hoje é o ensaio da bateria e o meu diretor de harmonia está aqui dando uma força.
PLÍNIO-  Total, uma vez que, como já citei anteriormente, somos todos unidos.

Teremos alguma inovação da bateria da Beija-flor para o Carnaval de 2011?

RODNEY- O torcedor da Beija-flor pode esperar muita raça e garra da bateria  e terá, sim, uma novidade, mas dentro da melodia que o samba pede.
 PLÍNIO-  Pode esperar, sim, mas não podemos revelar agora.

Em sua opinião, a escola acertou ao escolher o enredo falando sobre  o Rei Roberto Carlos?

RODNEY- É um grande enredo. A escola tem tudo para fazer um belíssimo desfile.
PLÍNIO- Eu gostei muito, uma vez que sou fã do Rei e acompanho a carreira dele.

A emoção de estar comandando a bateria em 2011 , onde o enredo  fala de uma pessoa tão amada e querida por todos os brasileiros, vai ser diferente?

RODNEY- São tantas emoções (risos).  Vai sim, eu costumo dizer que a Beija- flor nunca teve a opinião pública a seu favor e, com esse enredo falando sobre uma pessoa tão querida e popular , a Beija-flor vai realmente mostrar que é uma escola do povo. A nossa direção de carnaval acertou em cheio.
PLÍNIO-  Com certeza , além de ser fã do Rei , na minha opinião, vai ser um enredo muito bem desenvolvido pela nossa comissão de carnaval.

Já que vocês  tocaram no assunto, como é o relacionamento  de vocês com a direção de carnaval da escola?

RODNEY-  Eu posso dizer que é maravilhosa, agradeço sempre o apoio que eu e o Plínio temos deles. Quero agradecer a todos, em especial ao Laíla , pela oportunidade, por acreditar no nosso trabalho e por estar sempre ao nosso lado.
PLÍNIO- Uma relação de união, profissionalismo e amizade.

 Rodney,  Diretor de harmonia Valber Frutuoso e Plínio  
Foto: Artur Bernardes

 O que significa a Beija-flor de Nilópolis na vida de vocês?

RODNEY- Eu vou resumir: a Beija-flor é a minha vida e o meu amor.
PLÍNIO- Significa muita coisa.  Uma casa e uma família, onde tenho total liberdade e carinho. 











quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os comandantes da bateria Coração Valente

Por Artur Bernardes

No mesmo patamar dos versos do samba-exaltação da escola de Pilares “Deixa serenar / que eu te aqueço no calor do meu amor”, a bateria da Caprichosos de Pilares, agora denominada Coração Valente (o nome foi revelado em primeira mão ao OAbrealas), aquece o coração dos ritmistas da agremiação azul-e-branco. No comando, os mestres Alexandre Reis e Vagner Oliveira, o “Zumbi”, que carregam a Caprichosos com muitas paradinhas e dedicação incondicional.
Mestre Alexandre e Mestre Zumbi
Foto: Artur Bernardes
Alexandre é carioca e casado. Dos 43 anos de vida, 8 foram dedicados à bateria. Fora do Carnaval, ele se encarrega do comando dos volantes, já que trabalha como motorista. Ao seu lado, o conterrâneo Zumbi, de 32 anos, que durante o ano atua como técnico de enfermagem e completa três carnavais à frente da escola de Pilares.
Um é flamenguista de coração; o outro, vascaíno doente. Mas a rivalidade fica nos estádios de futebol, porque na Saspucaí, eles se unem por um mesmo objetivo: contagiar os foliões com uma bateria de respeito.

De que maneira começou a paixão pelo samba ??
ALEXANDRE- Começou quando eu desfilei pelo bloco carnavalesco Boncetal, que desfilava pela Rua João Ribeiro, em Pilares
ZUMBI- Na minha infância, ao acompanhar os ensaios da Caprichosos de Pilares com a minha mãe.

Qual foi a primeira escola de samba que você desfilou como ritmista ?
ALEXANDRE- A primeira vez que eu desfilei como ritmista não foi por uma escola de samba, e sim pelo bloco Boêmios de Irajá
ZUMBI- A primeira escola de samba no qual eu desfilei como ritmista foi na Acadêmicos do Engenho da Rainha.

Em qual escola de samba você teve a sua primeira oportunidade como mestre de bateria ?
ALEXANDRE - A primeira e única escola de samba que me abriu essa porta foi a Caprichosos de Pilares.
ZUMBI - Foi na Caprichosos de Pilares

Tem algum mestre de bateria que você admira e se espelhou no começo da sua carreira ?
ALEXANDRE - O falecido mestre Ricardo e o mestre Paulinho.
ZUMBI - Tem alguns nomes que fizeram parte da minha trajetória dentro do samba, que foram os mestres Cosme, Paulo Renato, Mestre louro e Mestre Alexandre.

Diretoria de bateria da caprichosos
Foto: Artur Bernardes


Dois mestres à frente da bateria ajuda o trabalho?
ALEXANDRE - Aqui na Caprichosos funciona muito bem essa divisão , uma vez que o trabalho é realizado com muita união e harmonia.
ZUMBI - Somos uma família, divergências de opinião buscando melhor para a escola acontecem, mas tudo dentro do normal e sempre com muita união.

Os ritmistas assimilaram bem essa divisão de comando ?
ALEXANDRE - No começo, houve um certo receio, mas, com o passar do tempo, as coisas foram entrando em sintonia e foi bem assimilado. O Zumbi foi meu diretor e eu enxerguei nele uma garra, vontade e gana de poder contribuir um pouco mais para a bateria da escola.
ZUMBI- Assimilaram de uma maneira muito positiva esse comando.

Em que sentido a bateria da Caprichosos de Pilares se diferencia das outras . Qual a sua marca própria?
ALEXANDRE - Alguns anos atrás, a bateria da caprichosos tinha sua característica própria na batida das caixas. Com o passar do tempo, isso foi mudando, e atualmente se caracteriza pelo seu naipe de marcação, que é muito forte e próprio da escola.
ZUMBI- A paixão. Aqui o ritmista bate com o coração na ponta da baqueta e, em primeira mão para o site OAbrealas, a nossa bateria será denominada daqui pra frente de Coração Valente.

Qual é a importância dos seus diretores de bateria no trabalho desenvolvido?
ALEXANDRE- Ela é importantíssima, uma vez que o trabalho é dividido em três partes: tem diretor que atua na parte burocrática, um na parte da manutenção dos instrumentos e outro auxiliando nos ensaios.
ZUMBI- Eles são de suma importância para o nosso sucesso. Costumo dizer que, dentro da Sapucaí, são eles quem comandam a bateria.

O que representa a Caprichosos de Pilares na sua vida?

Mestre Alexandre e seu filho, ritmista da escola
Foto: Artur Bernardes

ALEXANDRE - Ela representa tudo de bom na minha vida, foi onde a minha história no samba começou. Cheguei aqui ainda garoto, com 11 ou 12 anos e, hoje em dia, estou com 43 anos e permaneço aqui. É amor mesmo.
ZUMBI - Aqui é o quintal da minha casa, é o ar que eu respiro e, com certeza, faremos de tudo para conduzir a escola de volta ao Grupo Especial.


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nilo Sergio - Portela

Por Artur Bernardes

Buscando a nota máxima no quesito bateria, onde defende as cores da azul e branco de Madureira, Nilo Sérgio, 31 anos, nascido no município do Rio de janeiro, ajudante químico, solteiro, seguidor da religião espírita, botafoguense de coração e ganhador de dois estandartes de ouro, vem nos contar um pouco da sua trajetória.


Foto Artur Bernardes
   

       1 - De que maneira começou a sua paixão pelo samba?

A minha paixão pelo samba começou através do boêmio de Irajá. Eu tinha uma tia que vendia cerveja, refrigerante e churrasquinho em uma barraca em frente à quadra e sempre que podia estava por lá, para ajudá-la.Quando entrei na quadra e escutei aquele batuque foi paixão a primeira vista.

2 - Com que idade e por qual escola ocorreu o seu primeiro desfile? 
Meu primeiro desfile aconteceu aos 10(dez) anos de idade no império do futuro.

                3 - Alguém na sua família influenciou na sua vontade de desfilar?

Sim, tive a influência do meu cunhado, o mestre de bateria “faísca”.

             4 -  Em qual escola você teve a sua primeira experiência  de desfilar como ritmista?

Foi no império serrano.

 5 -  Em qual agremiação você estreou como mestre de bateria?

     A minha estréia comandando uma bateria, ocorreu na Portela.

Foto Artur Bernardes

    
             6 - Espelhou-se, em algum mestre em especial no inicio de sua trajetória a frente da bateria?

Sim, me espelhei em uma pessoa super competente, profissional e uma figura humana maravilhosa. No meu querido amigo Armando Marçal (Marçalzinho).

           7 -  Desde quando está à frente da bateria da Portela comandando os ritmistas?

Estou à frente da bateria da Portela como mestre desde 2006

         8 - Levou algum tempo para que os ritmistas assimilassem o seu estilo de comandar a bateria?

Não, uma vez que por fazer parte da diretoria de bateria da escola, os ritmistas já conheciam o meu estilo e modo de trabalho.

           9 - No que a bateria da Portela se diferencia das outras no estilo de tocar?

A bateria da Portela tem seu “peso” próprio de ritmo, mas merece           ser destacada a marcação do surdo de 3® e a “mescla” do estilo antigo com a renovação que vem ocorrendo. 


10 - Porque e por quem a bateria da Portela foi denominada e até hoje em dia é conhecida como a “orquestra tabajara do samba”?

Essa denominação concedida à bateria da Portela surgiu após o sucesso da orquestra sinfônica tabajara, que na época era comandada pelo maestro Severiano Araújo.
O saudoso Ari barroso foi quem concedeu essa denominação a bateria da Portela, uma vez que o mesmo ao escutar os ritmistas da azul e branco de Madureira em ação, exaltava o toque refinado, diferenciado e que fazia bem aos ouvidos do povo.
Foto Artur Bernardes
11-Quantos diretores trabalham com o senhor, te auxiliando no comando da bateria?

  No total são 10(dez) diretores que me auxiliam e ajudam nesse trabalho, Faço questão de citar os nomes aqui:
“bombeiro”, Vinicius “rato”, Vinicius, Eloy, Vitor, Álvaro, Douglas, Nilson, Arsênio e Sidcley.
Foto Artur Bernardes


          12- Qual a importância dos seus diretores no sucesso e organização da sua bateria?

Sem sombras de dúvidas a importância deles é total e fundamental.

        13- Como é de nosso conhecimento, o senhor  foi ganhador de 2(dois) estandartes de ouro ( revelação e melhor bateria). A emoção e o sentimento foram os mesmos?  Teve alguma diferença?

Em primeiro lugar eu gostaria de citar que esses dois prêmios foram frutos de um trabalho árduo, difícil, mas ao mesmo tempo gratificante e prazeroso que foi desenvolvido com a ajuda fundamental dos meus diretores e dos meus ritmistas.
O primeiro prêmio ocorreu em um momento de mudanças e um pouco difícil na minha vida, uma vez que era o meu primeiro ano a frente dos ritmistas como mestre e também pela perda de um grande amigo (Orlando) que me ajudou muito na minha trajetória.
Já no segundo prêmio ganho (melhor bateria), a emoção foi mesclada pelo reconhecimento do trabalho realizado de forma séria e honesta e por ter entrado para a história da Portela como o 3° mestre a receber esse prêmio a frente da bateria.


           14- O que os torcedores da Portela podem esperar da sua bateria para o carnaval de 2011?  Por ter ganhado esse ultimo estandarte de ouro como melhor bateria, as cobranças na sua concepção irão aumentar?

Os torcedores da Portela podem ficar despreocupados, uma vez que garra, dedicação e emoção não vão faltar na nossa bateria.
Com certeza, a cobrança em cima do nosso desempenho será enorme, mas estamos preparados para isso e iremos com certeza corresponder e inovar.   Ano que vem teremos novidade na avenida podem esperar, já esta na minha cabeça e será ensaiada ao longo desse ano.
Foto Artur Bernardes


         15- Mestre Nilo, não tem como adiantar essa novidade em primeira mão para os inúmeros internautas que acompanham o abre alas?

Não posso, senão estraga a surpresa RS.


     16- Qual é a emoção sentida, em estar a frente da bateria de uma escola tão vitoriosa, tradicional e com inúmeros torcedores?

  Em minha opinião a emoção é a mesma de ser pai. Representar a nação portelense na avenida é uma coisa indescritível.
 17- Para finalizar, o que a Portela significa atualmente na sua vida?

Tudo de bom e positivo que uma pessoa pode querer para a sua vida.